Em busca da recuperação funcional plena da depressão, para retornar ao estilo de vida pré-depressão

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Para que ocorra a plena recuperação funcional que permitirá ao paciente retornar ao seu estilo de vida pré-depressão, é fundamental resolver os sintomas cognitivos da depressão que afetam a atenção, a memória, a função executiva e a velocidade de processamento.  Especialistas do Canadá, Reino Unido e Austrália se reuniram para discutir a melhor forma de atingir esse objetivo, durante um seminário instigante realizado no âmbito da EPA 2018.

Uma das prioridades para os indivíduos com transtorno depressivo maior (TDM) é a capacidade de atingir o próprio nível de desempenho usual, no trabalho, nas atividades sociais e de lazer, na vida em família, nos afazeres domésticos, e nos relacionamentos interpessoais.1

Segundo Roger McIntyre, Professor de Psiquiatria e Farmacologia da Universidade de Toronto e Chefe da Unidade de Psicofarmacologia dos Transtornos do Humor da University Health Network, Toronto, Canadá, essa prioridade funcional só pode ser atingida para os pacientes com TDM, tendo-se a recuperação funcional plena como principal objetivo terapêutico.2

O déficit funcional é mediado por múltiplos domínios cognitivos, que incluem atenção, memória, velocidade de processamento e função executiva;3 e quase 90% dos pacientes com TDM relatam comprometimentos funcionais moderados, graves ou muito graves.4,5 Entretanto, mesmo após a resolução de outros sintomas de depressão, os indivíduos com TDM continuam apresentando déficits na função executiva, na memória e na atenção.6

Para atingir a recuperação funcional plena é fundamental identificar e lidar com os sintomas cognitivos do TDM

Para atingir a recuperação funcional plena é fundamental identificar e lidar com os sintomas cognitivos do TDM - afirmou o Professor McIntyre. Ele observou que, atualmente, as diretrizes do sistema de saúde americano, o Medicaid, recomendam tanto a avaliação cognitiva, quanto a funcional para casos de TDM.

O Professor McIntyre apresentou pesquisas mostrando que são os sintomas cognitivos, e não o nível total de severidade da depressão, os responsáveis pela grande variabilidade dos comprometimentos nas atividades laborais; 7 as mesmas pesquisas mostram que o funcionamento no trabalho é mediado por sintomas cognitivos e do humor em adultos com diabetes.8

São os sintomas cognitivos, e não o nível total de severidade da depressão, os responsáveis pela grande variabilidade dos déficits no trabalho

O impacto da depressão nas atividades laborais também foi mencionado por John Harrison, Professor Associado do Centro de Alzheimer, VU University Medical Center, Amsterdam, Holanda. Ele citou pesquisas mostrando que a alta carga econômica do TDM é em grande parte causada pelas perdas de produtividade no trabalho,9 atribuídas ao absenteísmo ou à queda de produtividade.10

Escalas padrão de depressão não avaliam todos os domínios cognitivos

Apesar da importância de identificar e de resolver os sintomas cognitivos para conseguir uma recuperação funcional plena em pacientes com TDM, nem todos os domínios cognitivos são avaliados por escalas padrão de depressão. Estas escalas são a Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D), a Escala de Depressão de Montgomery-Asberg (MADRS), o Inventário de Depressão de Beck e o Questionário sobre a Saúde do Paciente.

Escalas padrão de depressão não avaliam todos os domínios cognitivos

A apresentação do professor Harrison concentrou-se na melhor forma de identificar e medir o déficit cognitivo. Embora sejam muitas as opções disponíveis, ele explicou que testes cognitivos abrangentes são limitados por fatores como disponibilidade, custo, gestão do tempo e necessidade de especialistas para a interpretação dos resultados. Escalas cognitivas subjetivas são uma alternativa prática para situações clínicas, porém há correlação limitada entre as medidas subjetivas e objetivas da cognição.11 Além do mais, pode haver declínio cognitivo no indivíduo, sem que este saia da faixa de desempenho cognitivo 'normal’.12

Déficits cognitivos comuns, característicos do TDM afetam a memória de trabalho, a função executiva, a memória episódica e a velocidade de processamento13

A ferramenta THINC-it® foi desenvolvida e validada recentemente14 para atender à demanda por uma ferramenta completa e confiável para a avaliação, monitoramento e resolução da função cognitiva em TDM. Trata-se da primeira ferramenta computadorizada, auto-aplicável, disponível gratuitamente para a avaliação da cognição em TDM.15

O professor Harrison demonstrou como usar o THINC-it® para identificar e medir os déficits cognitivos usando cinco testes computadorizados em formato de games: 1. o Questionário de Déficits Percebidos da Depressão, versão de cinco itens (PDQ-D5), um questionário de autorrelato sobre a cognição; 2. o “Spotter,” um teste do tempo de reação da atenção; 3. o “Symbol Check,” que testa a memória de trabalho; 4. o “CodeBreaker,” um teste de codificação que mede a atenção e a função executiva; e 5. as “Trilhas,” que medem a função executiva.

A principal meta no manejo do TDM é a recuperação funcional plena

Bernhard Baune, Professor e Chefe do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Adelaide, Austrália, discutiu as abordagens farmacológicas e não-farmacológicas para o tratamento do TDM, com o objetivo final de atingir a recuperação funcional plena.

O manejo completo da depressão provavelmente exigirá a combinação de terapias farmacológicas com outras abordagens, para lidar com todos os seus aspectos, tanto emocionais quanto cognitivos

Ele explicou que os estudos observacionais fornecem evidências reais do impacto dos sintomas cognitivos na clínica, comprovando, assim, a importância dos sintomas cognitivos como alvo de tratamento no TDM, para melhorar as funções do dia-a-dia e os desfechos globais.

Se os sintomas cognitivos forem reconhecidos adequadamente na clínica, poderão ser tratados de modo efetivo, possibilitando, assim uma recuperação funcional mais plena e uma melhor qualidade de vida para o paciente.

Este simpósio foi patrocinado pela Lundbeck e apresentado no EPA 2018.
Referências

1. Zimmerman M et al. Am J Psychiatry 2006; 163: 148–150.

2. McIntyre RS et al. CNS Spectr 2015; 20 (Suppl 1): 20–30.

3. McIntyre RS, Lee Y. Curr Opin Psychiatry 2016; 29: 48–55.

4. Kessler RC et al. JAMA 2003;289:3095-105;
5. Sheehan DV et al. Int Clin Psychopharmacol 1996;11(Suppl 3):89-95

6. Rock PL et al. Psychol Med 2014;44:2029-40

7. McIntyre RS et al. Compr Psychiatry 2015;56:279-82

8. Lee Y et al. Can J Diabetes 2017;Sep 25 [Epub ahead of print]

9. Thomas CM, Morris S. Br J Psychiatry 2003; 183: 514–519.

10. Gilmour H, Patten SB. Health Rep 2007; 18: 9–22.

11. Lam RW. In: Cognitive Impairment in Major Depressive Disorder. Cambridge University Press, 2016; pp 242–256.

12. Collie A et al. Neurology 2001;56:1533-8

13. Millan MJ et al. Nat Rev Drug Discov 2012;11:141-6

14. McIntyre RS et al. J Clin Psychiatry 2017; 78: 873–881.

15. http://thinc.progress.im/en/content/thinc-it-about

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