Os biomarcadores inflamatórios podem ajudar a personalizar o tratamento da depressão? | Progress In Mind

Os biomarcadores inflamatórios podem ajudar a personalizar o tratamento da depressão?

Qual tratamento é mais adequado para qual tipo de depressão? Os pacientes com um subtipo de transtorno depressivo maior (TDM) associado à inflamação parecem ser mais propensos a responder a um antidepressivo dopaminérgico ou glutamatérgico do que a um inibidor seletivo de recaptação de serotonina (ISRS); e os biomarcadores inflamatórios podem estar ligados a diferentes resultados do tratamento de acordo com as evidências apresentadas no APA 2019.

Em estudos de curto prazo, o tratamento da depressão mostrou, infelizmente estar associado a baixas taxas de resposta e remissão, com apenas um em cada três pacientes com depressão atingindo a remissão. Isto levanta a questão “Quem responderá ao tratamento?”, perguntou o professor Madhukar Trivedi, do Centro Médico da Universidade do Texas, Dallas, TX.

O subtipo inflamatório no TDM

Um subtipo inflamatório no TDM está associado à ideação suicida

A heterogeneidade no TDM resulta em muitos subtipos diferentes, um dos quais podendo ser um subtipo inflamatório. A correspondência exata de pacientes com diferentes subtipos de TDM com os tratamentos atuais e a identificação de novas terapias para atingir os biótipos inflamatórios são passos para a medicina personalizada em psiquiatria, explicou o professor Trivedi.

Um subtipo inflamatório no TDM está associado a um curso muito mais grave1 do que outros subtipos, além disso, está associado à ideação suicida,2 disse ele. Não se sabe como a inflamação afeta o TDM, todavia, sabe-se que:

  • citocinas inflamatórias podem influenciar o desenvolvimento de sintomas depressivos através de sua influência nos sistemas de neurotransmissores, incluindo dopamina e glutamato.
  • alguns sintomas depressivos, como anedonia, fadiga, apetite e distúrbios do sono, têm sido mais intimamente ligados à inflamação do que outros sintomas

Os biomarcadores inflamatórios podem orientar tratamentos mais eficazes?

O aumento nos níveis do biomarcador inflamatório proteína C-reativa (PCR) está associado à diminuição da conectividade no circuito de recompensa corticostriatal, disse o professor Trivedi. A diminuição da conectividade entre o estriado ventral e o córtex pré-frontal ventromedial se correlaciona com o aumento da anedonia.3

Além disto, a depressão se torna menos grave em pacientes com TDM e níveis basais elevados de PCR quando tratados com um antidepressivo dopaminérgico combinado com ISRS, do que quando tratados com ISRS em monoterapia.4

Biomarcadores inflamatórios podem ajudar a otimizar a seleção de antidepressivos

Da mesma forma, o nível basal mis elevado do fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) está associado a uma maior redução na gravidade da depressão e da anedonia quando o TDM é tratado com um antidepressivo dopaminérgico combinado com ISRS, do que quando tratado com ISRS em monoterapia.5 O PDGF é parte integrante da barreira hematoencefálica (BHE), aumenta com a ruptura da BHE e está associado à neuroinflamação.

O professor Trivedi também descreveu como a transfusão de células Th17 promove a incapacidade de aprendizagem em camundongos e comportamento semelhantes à depressão e que a inibição da interleucina-17 (IL-17) atenua a incapacidade de aprendizagem dependente de transfusão de Th17.6 A IL-17 é uma citocina pró-inflamatória e as células Th17 desempenham um papel essencial na inflamação.

Os biomarcadores inflamatórios podem, portanto, ser moderadores do tratamento ligados a diferentes resultados do tratamento. Estes podem, portanto, ser utilizados para otimizar a seleção de tratamento individualizados e fornecer indicações precoces de resposta para o tratamento.

Referências
  1. Wium-Andersen M, et al. JAMA Psych. 2013;70(2):176–84.
  2. O’Donovan A, et al. Depress Anxiety. 2013;30(4):307–14.
  3. Felger J, et al. Mol Psych. 2016;21:1358–65.
  4. Jha M, et al. Psychoneuroendocrinol. 2017;78:105–13.
  5. Jha M, et al. Int J Neuropsychopharmacol. 2017;20:919–27.
  6. Beurel E, et al. Biol Psych. 2013; 73(7): 622–30.
Você está deixando Progress in Mind
Olá
Por favor, confirme seu e-mail
Enviamos um link de confirmação de cadastro para seu e-mail.
Antes de ter o acesso completo, por favor, acesse seu e-mail e confirme seu cadastro
As informações neste site são exclusivamente destinadas a profissionais de saúde.