Intervenção precoce no primeiro episódio psicótico: o que funciona?

Há um período crítico no qual os pacientes sentem os sintomas de psicose pela primeira vez, o que pode apresentar uma janela de oportunidade para uma intervenção eficaz, a fim de alcançar melhores resultados à longo prazo. O professor Christoph Correll, (Alemanha), apresentou dados sobre algumas das abordagens para tal intervenção precoce (IP) e analisou o que se conhece sobre sua eficácia no longo prazo.

Intervenção precoce especializada versus tratamento habitual

Na psicose precoce, a intervenção mais rápida fornece melhores resultados do que o tratamento habitual

O estudo RAISE-ETP (sigla do inglês Recovery After an Initial Schizophrenia Episode - Early Treatment Study, ou Recuperação Após um Episódio Inicial de Esquizofrenia – Estudo de Tratamento Precoce) foi desenhado para testar a intervenção precoce (IP) que poderia mudar a trajetória da esquizofrenia desde o primeiro episódio e seria amplamente aplicável na clínica.1 Em metade dos centros, pacientes com transtornos do espectro da esquizofrenia, com menos de 6 meses de tratamento antipsicótico, receberam tratamento habitual (TH) e, na outra metade dos centros, os pacientes receberam uma abordagem de atendimento integrado com quatro componentes: medicamento (com a escolha baseada em uma ferramenta de tomada de decisão computadorizada), treinamento individualizado em resiliência, psicoeducação familiar e apoio para reintegrar pacientes no emprego ou educação.

Os pacientes que receberam o atendimento integrado apresentaram resultados um pouco melhores do que o TH após os 2 anos de estudo. Além disso, pacientes com uma duração mais curta de psicose não tratada apresentaram melhores resultados do que aqueles que não receberam tratamento por até 18 meses. Esses resultados foram confirmados por uma metanálise de IP versus TH,2 onde novamente, os resultados favoreceram a IP. Entretanto, não é muito claro se esses benefícios da IP são mantidos durante a fase de acompanhamento após o tratamento.

Como manter os benefícios da IP em longo prazo?

Os resultados de longo prazo da intervenção precoce são melhor mantidos através da extensão de intervenções precoces, ao invés de retornar ao tratamento usual.

Em um estudo naturalista, de 10 anos de acompanhamento e controles dos históricos, a IP de 2 anos teve vantagens significativas na redução de hospitalizações e na melhora do tempo de permanência do emprego.3 Contudo, não houve diferenças significativas em outros resultados, como sintomas psicóticos e recuperação funcional.

Foi demonstrado que estender a duração do IP para 5 anos possui efeitos benéficos sobre o TH em diversos resultados, incluindo adesão ao tratamento, satisfação do paciente e nos sintomas positivos e negativos.4,5 Os resultados para pacientes que receberam IP prolongada também foram melhores do que para aqueles que deixaram a IP para um TH focado (que foi menos intenso que a IP).6

Deve-se parar o tratamento antipsicótico?

Os antipsicóticos de manutenção e prevenção de recaídas são a chave para bons resultados à longo prazo

Se a IP for bem-sucedida e os pacientes apresentarem uma boa resposta ao tratamento, quando seria apropriado parar a medicação? Como não existem evidências científicas substanciais para responder a essa pergunta, precisamos analisar as informações de bancos de dados acerca do acompanhamento de longo prazo dos pacientes. Esses dados coletados ao longo de 20 anos na Finlândia indicaram que, para pacientes que pararam o tratamento antes de 2 anos, os benefícios conferidos por esse tratamento foram perdidos nos anos seguintes.7 Como apontou o professor Correll, os antipsicóticos disponíveis atualmente não modificam a doença. Portanto, a abordagem do tratamento racional seria tratar os pacientes de maneira ideal para obter os melhores resultados e continuar esse tratamento à longo prazo, a fim de garantir que sua condição permaneça a mais estável possível.

Antipsicóticos de ação prolongada podem apresentar a melhor opção para a IP

A prevenção de recaídas é um objetivo crucial dos tratamentos de longo prazo na esquizofrenia, de modo a reduzir o risco de resultados insatisfatórios da doença, bem como mortalidade por outras causas, como, de doenças cardiovasculares.8 Isso pode ser conseguido utilizando-se um antipsicótico de ação prolongada. O professor Correll apontou que o uso desses medicamentos de ação prolongada é possível e provavelmente desejável como IP em muitos pacientes com esquizofrenia.9

Our correspondent’s highlights from the symposium are meant as a fair representation of the scientific content presented. The views and opinions expressed on this page do not necessarily reflect those of Lundbeck.

Referências
  1. Kane JM et al. J Clin Psychiatry 2015;76:240–6
  2. Correll CU et al. JAMA Psychiatry 2018;75:555–65
  3. Chan SKW et al. Psychol Med 2015;45:1181–93
  4. Albert N et al BMJ 2017;356:2,
  5. Malla A et al. World Psychiatry 2017;16:278–86
  6. Chang WC et al. Schizophr Res 2016;173:79–83
  7. Tiihonen J et al. Am J Psychiat 2018;175:765–73
  8. Taipale H et al. Schizophr Res 2018;197:274–80
  9. Kane JM et al J Clin Psychiat 2019;80(3): 18m12546
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