O tratamento pode beneficiar todas as gravidades do transtorno depressivo maior | Progress In Mind

O tratamento pode beneficiar todas as gravidades do transtorno depressivo maior

Uma questão clínica importante é se a gravidade inicial do transtorno depressivo maior (TDM) influencia a eficácia dos antidepressivos. Agora temos uma resposta clara: na população homogênea de pacientes japoneses, isto não acontece. Todos os pacientes se beneficiam. Outra questão é até que ponto esta descoberta pode ser generalizada para outros grupos com depressão maior. Porém, há consenso sobre a necessidade de tratamento personalizado.

A gravidade inicial do TDM não influencia a eficácia do tratamento agudo pelos antidepressivos. Uma vez diagnosticados como portadores do TDM, os pacientes com depressão leve se beneficiam do tratamento tanto quanto aqueles com depressão grave.

Essa é a mensagem final da meta-análise de dados individuais de pacientes apresentada na EPA 2019 pelo professor Andrea Cipriani, do Hospital Warneford, da Universidade de Oxford, Reino Unido.

O modelo que melhor ajustou os dados mostrou que a interação entre a gravidade inicial e o efeito do tratamento estava longe de ser estatisticamente significativo, com um valor de p de 0,49.

Os pacientes com depressão leve do TDM ganham com o tratamento tanto quanto aqueles com depressão grave.

A meta-análise incluiu dados de cerca de 2.300 pacientes, com uma média de idade de 40 anos e uma pontuação média na escala de Hamilton de 22-23, que foram tratados por 6 a 8 semanas. A proporção de pacientes do sexo feminino — 52% — foi menor do que o esperado na prática rotineira.

Estudos anteriores de gravidade continham falhas e oprofessor Cipriani e seus colaboradores acreditam que seu trabalho é um avanço sobre os estudos anteriores, que tinham menos poder estatístico e eram responsáveis pela falta de dados, reportando os valores da última observação — uma abordagem da qual dizem que não é mais adequada.

Além disto, um dos quatro estudos incluiu pacientes com depressão menor, ou seja, pessoas que não preenchiam os critérios para o TDM. O professor enfatizou que a depressão menor não atende os critérios diagnósticos para o TDM, por ser menos gravemente afetado.

Na recente meta-análise, foram realizadas análises de sensibilidade apropriadas. O modelo inicial foi baseado em quatro ensaios clínicos randomizados (ECR) e testado por meio de dados brutos e dados ajustados para potenciais fatores de confusão, principalmente idade e sexo. O modelo foi, então, aplicado a mais dois ECRs e os resultados foram replicados.

Características clínicas e preferências do paciente — ambas devem orientar a escolha do tratamento

Descobertas robustas, porém, limitadas incluindo apenas o momento em que todos os estudos relataram os resultados não fizeram diferença para as conclusões da meta-análise. Nenhum deles excluiu estudos nos quais a pontuação na MADRS tiveram de ser convertidos na pontuação na escala de Hamilton, de modo que houve apenas um resultado em todos os estudos. Portanto, as conclusões da meta-análise podem ser consideradas robustas.

Contudo, há importantes ressalvas. Embora o estudo fosse tecnicamente robusto, a análise envolveu dados de apenas seis ECRs; todos os pacientes estavam em monoterapia; e — importante — eles foram todos realizados no Japão.

O Japão foi escolhido por causa de sua população homogênea e de uma abordagem, em geral, favorável à liberação abrangente de dados individuais dos pacientes.

Combinar tratamentos para os indivíduos é a essência de uma abordagem moderna: tratamos os pacientes, não as médias

A potencial falta de generalização da nova análise sugere cautela ao insistir que as diretrizes atuais, como as do NICE e APA, devem ser atualizadas à luz de suas descobertas.

Porém, há uma espécie de corroboração de uma meta-análise da terapia cognitivo-comportamental (TCC) para a depressão. Isto novamente utilizou dados de pacientes individuais e novamente descobriu que pacientes com TDA podem esperar benefícios da TCC, através da ampla gama de gravidade da linha de base.2

Por que a depressão é diferente?

Uma questão interessante é por que a gravidade da linha de base parece não influenciar a eficácia dos antidepressivos ou a TCC na depressão, enquanto a gravidade modula a eficácia dos antipsicóticos e dos agentes utilizados no autismo e na mania.3

As preferências do paciente precisam fazer parte do quadro

Um fator pode ser a heterogeneidade de pacientes com diagnóstico de TDA, enquanto outro pode ser aquele no qual o tamanho do efeito no tratamento da depressão é menor do que, por exemplo, na esquizofrenia.

A paixão do professor Cipriani é promover o tratamento personalizado em psiquiatria. Preferencialmente, a escolha do tratamento deveria refletir fatores como sexo, ansiedade coexistente, duração dos sintomas, histórico familiar e risco cardíaco.

Também deveria levar em consideração as preferências do paciente. No trabalho em andamento em Oxford, os pacientes estão sendo solicitados a utilizar uma escala móvel para avaliar sua preocupação em evitar eventos adversos específicos, como insônia, náusea, sedação, tremor e ganho de peso. Todos eles são relevantes para a seleção da terapia antidepressiva mais apropriada.

Our correspondent’s highlights from the symposium are meant as a fair representation of the scientific content presented. The views and opinions expressed on this page do not necessarily reflect those of Lundbeck.

Referências
  1. Furukawa TA et al. Initial severity of major depression and efficacy of new generation antidepressants: individual participant data meta-analysis. Acta Psychiatr Scand. 2018 Jun;137(6):450-458.
  2. Furukawa TA et al. Initial severity of depression and efficacy of cognitive-behavioural therapy: individual-participant data meta-analysis of pill-placebo-controlled trials. Br J Psychiatry. 2017 Mar;210(3):190-196.
  3. Leucht S et al. Possibly no baseline severity effect for antidepressants versus placebo but for antipsychotics. Why? Eur Arch Psychiatry Clin Neurosci. 2018 Oct;268(7):621-623.
Você está deixando Progress in Mind
Olá
Por favor, confirme seu e-mail
Enviamos um link de confirmação de cadastro para seu e-mail.
Antes de ter o acesso completo, por favor, acesse seu e-mail e confirme seu cadastro
As informações neste site são exclusivamente destinadas a profissionais de saúde.