Como diferenciar o transtorno depressivo maior da depressão bipolar

O transtorno bipolar é comum e está associado a uma perda de 10 a 20 anos de vida, podendo ser frequentemente diagnosticado como transtorno depressivo maior (TDM). Um terço dos pacientes esperam, pelo menos, 10 anos para um diagnóstico preciso e uma estratégia de tratamento baseada em evidência apropriada. Todos os pacientes que apresentam sintomas depressivos devem, portanto, ser examinados durante todo o percurso da doença para observação de possíveis evidências atuais e/ou anteriores de hipomania ou mania, explicou o especialista global Professor Roger McIntyre, da Universidade de Toronto, Canadá, no WCP 2021.

O diagnóstico preciso e oportuno é fundamental para melhorar os resultados

Um terço dos pacientes com depressão bipolar esperam, pelo menos, 10 anos para um diagnóstico preciso.

O transtorno bipolar prejudica o funcionamento psicossocial e afeta 2–4% das pessoas durante a vida. Está associado a uma perda de aproximadamente 10-20 anos de vida, principalmente devido a doenças cardiovasculares e suicídio1, disse o professor Roger McIntyre, da Universidade de Toronto, Canadá.

O diagnóstico preciso é, portanto, fundamental para permitir uma estratégia de tratamento baseada em evidências apropriadas, disse ele.

No entanto, o diagnóstico incorreto é comum porque os pacientes geralmente apresentam transtorno depressivo maior (TDM) ou com características mistas (consulte https://progress.im/en/content/how-should-treatment-be-tailored-dsm-5-mi... - em inglês); e pode ser difícil distinguir a depressão bipolar do TDM.

Atrasos no tratamento adequado baseado em evidências estão ligados a piores resultados

Além disso, o TDM se converte em transtorno bipolar em 3,9% dos pacientes em 1 ano, 1% após 2–5 anos e 0,8% após 5–10 anos.2

Quanto mais cedo for a idade de início, mais provavelmente o diagnóstico de depressão bipolar será perdido por muitos anos; e atrasos crescentes no tratamento estão associados a piores resultados.3

Aproximadamente um terço dos pacientes esperam, pelo menos, 10 anos para um diagnóstico preciso desde o momento em que eles primeiramente procuram tratamento.4

Todos os pacientes que apresentam sintomas depressivos devem, portanto, ser examinados durante toda a doença para evidências atuais e anteriores de hipomania ou mania, afirmou o Professor McIntyre.

 

Depressão bipolar vs transtorno depressivo maior

Um histórico de baixa resposta a antidepressivos pode sugerir depressão bipolar

Nenhum sintoma é exclusivo do TDM ou da depressão bipolar, disse o professor McIntyre, então é necessário adotar uma abordagem probabilística para construir o caso. Características que sugerem depressão bipolar incluem:

  • Idade inferior a 25 anos no início - até 75% dos pacientes têm menos de 25 anos quando desenvolvem sintomas e sinais de transtorno bipolar1,5
  • Transtorno de ansiedade comórbida, transtorno de uso de substâncias, fobia social e TDAH6,7
  • Psicose1,5
  • Sinais e sintomas atípicos - hiperfagia, hipersonia e características mistas (do inglês, os quatro As - ansiedade, agitação, raiva (anger em inglês)/irritabilidade, distúrbio de atenção-distração)1,5
  • Um histórico de baixa resposta a antidepressivos8

 

Uma ferramenta para diferenciar transtorno bipolar tipo I de transtorno depressivo maior

Todos os pacientes que apresentam sintomas depressivos devem ser examinados para transtorno bipolar

Um questionário de 6 itens, o Rapid Mood Screener (RMS) – traduzido como Rastreador Rápido de Humor, foi desenvolvido pelo Professor Mcintyre e seus colegas para fornecer uma orientação de mundo real aos médicos que atuam na atenção primária para a diferenciação do transtorno bipolar tipo I do TDM em pacientes com sintomas depressivos9, e compreende seis perguntas a serem respondidas 'sim' ou 'não'.

Se pelo menos quatro dos seis itens forem respondidos "sim", há uma boa probabilidade de que o paciente tenha depressão bipolar, disse o professor McIntyre. Em comparação com outras ferramentas de triagem, falsos positivos são menos prováveis e o RMS tem boa previsibilidade negativa.9

 

 

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Our correspondent’s highlights from the symposium are meant as a fair representation of the scientific content presented. The views and opinions expressed on this page do not necessarily reflect those of Lundbeck.

Referências

  1. McIntyre RS, et al. Lancet 2020;396:1841–56.
  2. Kessing LV, et al. Bipolare Dis. 2017;19: 324–35.
  3. Post RM, et al. J Clin Psychiatry. 2010;71:864–72.
  4. Hirschfeld RM, et al. J Clin Psychiatry. 2003;64:161–74.
  5. McIntyre RS, Calabrese JR. Curr Med Res Opin. 2019;35:1993–2005.
  6. Krishnan KRR. Psychosom Med. 2005;67:1–8.
  7. Wingo AP, Ghaemi SN. J Clin Psych 2007;68:1776–84.
  8. Li C-T, et al. Br J Psychiatry. 2012;200:45–51.
  9. McIntyre RS, et al. Curr Med Res Opin. 2021;37:135–44.