Engajamento do paciente: um novo conceito de recuperação funcional centrada no paciente

O engajamento do paciente – um conceito que inclui satisfação com a vida, bem-estar e participação nas atividades diárias – está ganhando terreno como um desfecho importante, tanto no transtorno depressivo maior (TDM) como na esquizofrenia, disse Roger McIntyre (Universidade de Toronto, Canadá) em um simpósio satélite no ECNP (Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia) 2020 Virtual.

A ausência de angústia por meio do alívio dos sintomas não é a mesma coisa que a presença de bem-estar, enfatizou Ilaria Cuomo (Universidade La Sapienza, Roma, Itália), que preparou o cenário para a discussão das necessidades não atendidas e do modo como os médicos estão adotando uma abordagem mais centrada no paciente.

Para pacientes com esquizofrenia, a qualidade de vida e a recuperação funcional são os principais objetivos do tratamento em todos os estágios da doença, disse ela.1,2 Da mesma forma, no TDM, o resultado ideal não é apenas a recuperação sintomática completa, mas também a melhora da funcionalidade e da qualidade de vida.3

A compreensão da perspectiva do paciente se mostra agora mais proeminente, com maior ênfase na restauração da funcionalidade4,5

 

Engajamento do paciente

Como parte desse processo, há um interesse crescente no conceito de engajamento do paciente. Isso é diferente da ideia de engajamento com o tratamento, no sentido de adesão. Este é um conceito muito mais amplo que inclui satisfação com a vida, bem-estar e participação nas atividades diárias.6

Nesse novo sentido, o engajamento é considerado como tendo quatro domínios:6

  • cognitivo — concentração e tomada de decisão
  • emocional — incluindo a visão que uma pessoa tem de si mesma e de seu futuro, e a capacidade de sentir prazer e diversão
  • social – abrangendo sensibilidade e interesse interpessoal; e
  • físico – ter energia e não se sentir “devagar”.

Estudos recentes mostraram que podemos medir o engajamento utilizando subescalas derivadas de medições existentes e bem estabelecidas.6,7

Tanto no TDM quanto na esquizofrenia, um agonista parcial do receptor D2 via oral, com perfil de ligação ao receptor equilibrado, trouxe maior engajamento do paciente do que o placebo

As subescalas de engajamento foram propostas para capturar o bem-estar do paciente e o engajamento, além dos principais sintomas da depressão ou esquizofrenia. No caso da depressão, 10 itens do Inventário de Sintomatologia Depressiva (ISD, do inglês Inventory for Depressive Symptomatology) foram selecionados por um painel de especialistas.6 No caso da esquizofrenia, 11 itens da Escala de Síndrome Positiva e Negativa (PANSS, do inglês Positive and Negative Syndrome Scale) foram identificados por um grupo de especialistas.7

 

Melhora do engajamento com tratamento adjuvante do TDM

Em pacientes com TDM em terapia com antidepressivos, a subescala de envolvimento é sensível aos efeitos benéficos do tratamento adjuvante com um agonista parcial do receptor D2 por via oral, com perfil de ligação ao receptor equilibrado.8

Em dados agrupados de três estudos, 8 dos 10 itens na subescala de envolvimento mostraram melhora significativamente maior, desde o início até a semana 6, em pacientes que tomam antidepressivo mais terapia antipsicótica adjuvante, do que naqueles que tomam antidepressivo mais placebo, relatou o professor McIntyre.

Esses dados agrupados também sugerem que a melhora da funcionalidade do paciente está intimamente associada a um maior engajamento do paciente.8

Os pacientes com TDM que responderam – de acordo com seu engajamento melhorado – mostraram reduções significativamente maiores desde o início na Escala de Incapacidade de Sheehan, em geral e nos três domínios compostos por trabalho/escola, vida social e vida familiar.

Os respondedores, em termos de engajamento, tiveram maiores reduções de incapacitação

 

Melhora do engajamento também visto na esquizofrenia

Na esquizofrenia, o quadro é semelhante.Uma análise post-hoc dos dados de três estudos controlados por placebo do agonista parcial do receptor D2 via oral, com perfil de ligação ao receptor equilibrado, sugere que o tratamento ativo traz maior engajamento.

Em 10 dos 11 itens na subescala de envolvimento, os pacientes em terapia antipsicótica mostraram melhora superior, desde o início até a semana 6, do que o observado em pacientes randomizados para o grupo controle (placebo). Os respondedores, em termos de engajamento, tiveram melhora superior na Escala de Desempenho Pessoal e Social.

As taxas de resposta para engajamento (definidas por uma melhora de 5 pontos ou mais a partir do início nas subescalas relevantes) foram significativamente maiores com o tratamento ativo do que com o placebo na esquizofrenia (44% vs. 31,1%)9 e no TDM (37,7 vs. 26,2%).8

A recuperação funcional centrada no paciente e a qualidade de vida são as principais metas do tratamento

 

 

O apoio financeiro educacional para este simpósio satélite no ECNP Virtual 2020 foi fornecido pela Otsuka Pharmaceutical Europe Ltd e H. Lundbeck A / S

 

 

Our correspondent’s highlights from the symposium are meant as a fair representation of the scientific content presented. The views and opinions expressed on this page do not necessarily reflect those of Lundbeck.

Referências

1. Hasan et al. World J Biol Psychiatry 2013;14:2-44

2. Lehman et al. APA guidelines for the treatment of patients with schizophrenia. 2nd Edition

3. IsHak et al. Acta Psychiatr Scand 2015;131:51-60

4. Yarborough BJH et al. Patient Educ Couns 2019;102: 346–351

5. Mago R et al. BMC Psychiatry 2018;18: 33.

6. Thase M et al. Poster at Psych Congress 2019 [301]

7. Ismail Z et al. Schizophrenia Bulletin 2020;46(Supp1):S208-9

8. Weiss et al. Poster at ASCP 2020

9. Meehan et al. Poster at ASCP 2020

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