Por que um maior investimento é a chave para uma melhor saúde mental?

Todo indivíduo com transtorno mental passa por uma experiência única. Compreender essa individualidade – a heterogeneidade – é a chave para o desenvolvimento de um tratamento eficaz e fornecer serviços de saúde mental adequados, acessíveis e bem financiados.

O tema do Dia Mundial da Saúde Mental de 2020 é Saúde Mental para Todos: Maior Investimento, Maior Acesso. Para entender como todos os indivíduos podem se beneficiar, precisamos reconhecer sua experiência individual com sua saúde mental.

Cada indivíduo tem sua própria saúde mental, única, dependendo de suas experiências sociais e ambientais e de como elas interagem com seus processos genéticos, neurodesenvolvimentais e psicológicos para afetar os caminhos biológicos em seu cérebro.1

Os transtornos de saúde mental afetam as pessoas de maneiras diferentes

Se as vias biológicas do cérebro de uma pessoa produzem pensamentos, emoções, comportamentos e relacionamentos anormais, esta, em geral, apresenta um transtorno de saúde mental – como transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, transtorno depressivo maior (TDM), transtorno de estresse pós-traumático, esquizofrenia e abuso de substâncias.2

 

Por que os transtornos mentais são heterogêneos?

Os critérios de diagnóstico para TDM resultam em pelo menos 1.497 perfis de sintomas únicos

O diagnóstico de um transtorno de saúde mental é baseado no padrão de critérios de sintomas emocionais, cognitivos e físicos.3,4

Os transtornos de saúde mental são, portanto, heterogêneos. Por exemplo, um diagnóstico de TDM requer a presença de, pelo menos, cinco dos nove critérios sintomáticos, resultando em pelo menos 1.497 perfis de sintomas únicos.3,4

Dois pacientes com o mesmo diagnóstico não terão necessariamente os mesmos sintomas,5 bem como suas experiências irão variar, dependendo de como seus sintomas afetam sua qualidade de vida e funcionalidade.6

A heterogeneidade dos transtornos mentais é reflexo de diferentes mecanismos cerebrais responsáveis pelo mesmo diagnóstico, e a atual ausência de biomarcadores para transtornos mentais reflete a complexidade desses mecanismos.7

 

Uma medida única não serve para todos

As respostas ao tratamento variam entre indivíduos

A heterogeneidade dos transtornos mentais significa que as respostas ao tratamento variam em termos de:

  • como mecanismo da patologia é afetado pela farmacoterapia
  • efeitos adversos
  • como a resposta se traduz em qualidade de vida e funcionalidade8

Apenas 50% das pessoas tratadas para TDM alcançam a remissão após o tratamento,9 com apenas 37% alcançando a remissão após a primeira linha de tratamento.10

 

Por que há necessidade de maior investimento?

O sistema está falhando no suporte às pessoas que procuram ajuda profissional

A complexidade dos transtornos de saúde mental, juntamente com as pressões orçamentárias existentes sobre os serviços de saúde e a escassez de psiquiatras e especialistas em saúde mental,11,12 significam que o sistema está falhando no suporte às pessoas que procuram ajuda profissional.

Por exemplo, aproximadamente 45% das pessoas que morreram por suicídio consultaram um médico de cuidados primários um mês antes do suicídio.10

Um investimento maior em serviços e pesquisa é fundamental para abordar essa falha e fornecer o suporte e gestão de saúde necessários para melhorar os sintomas, a funcionalidade e a qualidade de vida, além de prevenir recaídas.

Por exemplo, o NAVIGATE, uma intervenção de tratamento abrangente e integrada para o primeiro episódio psicótico nos Estados Unidos custou 27% a mais do que os cuidados comunitários em 2 anos, mas melhorou significativamente a qualidade de vida, em 13%.13

O Dr. André Astete participou desta ação de forma voluntária, não recebendo qualquer tipo de pagamento ou compensação para tal.

Referências
  1. Zubenko GS, et al. JAMA Psychiatry 2018;75:769–70.
  2. World Health Organization. Disponível em: https://www.who.int/mental_health/management/en/#:~:text=Mental%20disord...
  3. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Health Disorders. 5th ed. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2013.
  4. World Health Organization International Classification of Diseases (ICD-11). Disponível em: https://icd.who.int/en
  5. Ostergaard S, et al. Acta Psychiatr Scand. 2011:124:495–96.
  6. Fried E. Exp Rev Neurother. 2017 DOI: 10.1080/14737175.2017.1307737.
  7. Turecki G, Brent DA. Lancet 2016;387:1227–39.
  8. Zimmerman M, et al. Am J Psych. 2006;163:148–50.
  9. Feczko E, et al. Trends Cogn Sci 2019;23:584–601. 
  10. Rush AJ, et al. Am J Psych 2006;163:1905–17.
  11. Patel V, et al. Lancet 2018;392:1553–98.
  12. Kroenke K, Unutzer J. J Gen Intern Med 2017;3:404–10.
  13. Rosenheck R, et al. 2016. Powerpoint Slide 3. Disponível em: http://www.nasmhpd.org/content/team-based-treatment-first-episode-psychosis-cost-effective-implications-policy-and-practice. Acessado em 01 Outubro 2020.
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