A urgente necessidade de otimizar o tratamento da depressão

Os sintomas residuais reduzem a probabilidade de volta ao funcionamento pré-depressão e aumenta o risco de recidiva. Uma vez que, pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM) desejam a restauração plena do funcionamento e como a recidiva repetida é devastadora para o cérebro, devemos almejar fazer o melhor possível o quanto antes, disse Siegfried Kasper (Faculdade de Medicina de Viena, Áustria) em um simpósio do ECNP sobre a recuperação na era da medicina personalizada.

O Grupo Europeu para o Estudo da Depressão Resistente (GSRD) faz o que escreve na caixa: foram coletados dados de 3.000 pacientes de, pelo menos, seis países. A fim de retratar a prática no mundo real, os pacientes foram recrutados de quadros universitários e não-universitários, representam pacientes internados e ambulatoriais, cobrem toda a gama de gravidade da doença, e incluem aqueles com saúde mental e comorbidades físicas que não lhes permitiriam participar de estudos clínicos.

Até hoje, o GSRD publicou 65 trabalhos revistos por pares. Um achado importante recente (baseado nos centros de referência terciários) é de que a polifarmácia é comum no TDM. Um terço dos pacientes tinha prescrição de uma benzodiazepina ou similar, 29% mais de um antidepressivo, e 24% um antipsicótico.

O cérebro se deteriora com cada episódio de depressão maior

O Professor Kasper atribui a alta taxa de prescrição de benzodiazepínicos à presença de agitação e ansiedade em muitos pacientes. Na opinião dele, isso é importante pois a presença da comorbidade do transtorno de ansiedade está associada ao risco quatro vezes maior de depressão resistente ao tratamento.2 Isso é maior que o risco aumentado associado à não resposta ao primeiro antidepressivo tomado e à presença de características de melancolia. 

A depressão é devastadora para o cérebro

Um artigo em vias de publicação confirmará que a presença do transtorno de ansiedade – junto com a gravidade dos sintomas e um número maior de episódios de TDM – prevê resistência ao tratamento. O efeito adverso de episódios repetidos de depressão maior, em especial, é algo que, como Siegfried Kasper argumenta, deveria ser mais amplamente reconhecido.

A probabilidade de resposta cai de 43%, no primeiro episódio de TDM, para 31%, no quarto episódio. A depressão faz mal para a estrutura e o funcionamento do cérebro.3 E um estudo antigo, mas ainda relevante, demonstra uma relação clara entre a duração da depressão não tratada e o volume reduzido do hipocampo.4

Nossa meta deve ser a detecção precoce do TDM e seu tratamento precoce e efetivo

Será que criar subtipos pode nos ajudar a melhorar as taxas de resposta e remissão?

Uma abordagem que usa o agrupamento dos sintomas para identificar os subtipos de depressão retrata a convicção generalizada de que as pessoas com depressão diferem umas das outras de formas que têm o potencial de ajudar na escolha lógica de tratamentos. Um desses sistemas defende a criação de subtipos de acordo com ansiedade, fadiga, insônia e dor.5

Tratamento baseado nas medidas como meta

A avaliação dos sintomas depressivos se tornou mais viável com o desenvolvimento de ferramentas computadorizadas, tais como, THINC-It e entrevistas estruturadas.

No futuro, é possível que tenhamos a genética e outros biomarcadores para nos orientar na seleção do tratamento. Por enquanto, nos restam as características clínicas. A ansiedade como comorbidade tem interessado o Professor Kasper: se não for tratada, o risco da resistência ao tratamento é grande.

Esses temas foram abordados por Eva Českova (Universidade de Masaryk, Brno, República Tcheca). Devemos avaliar os sintomas depressivos regularmente, ela incitou. Problemas persistentes incluem sono interrompido e disfunção cognitiva, e ela também observou que a avaliação se tornou mais viável com o desenvolvimento de ferramentas computadorizadas, tais como THINC-It e as entrevistas estruturadas.

Os sintomas residuais aumentam o risco de recidiva e recorrência, diminuem o período entre episódios depressivos e comprometem a função e a qualidade de vida

Nosso objetivo deve ser lidar com os sintomas residuais que estão presentes até mesmo nos pacientes em remissão. Tais sintomas residuais aumentam o risco de recidiva e recorrência, diminuem o período entre episódios depressivos e comprometem a função e a qualidade de vida.

Angelini forneceu apoio financeiro educacional para esse simpósio

Referências
  1. Dold M et al. Eur Neuropsychopharmacol 2016;26:1960-1971
  2. Schosser A et al. Eur Neuropsychopharmacol 2012;22:453-468
  3. Maletic V et al. Int J Clin Pract 2007;61:2030-2040
  4. Shelin YI et al. Am J Psychiatry 2003;160:1516-1518
  5. Lin SY et al. J Am Board Fam Med 2014;27:151-159
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