Neuroimagem, antipsicóticos e registros — capacidade funcional | Progress In Mind

Neuroimagem, antipsicóticos e registros — capacidade funcional

Estudos de neuroimagem de resposta aos tratamentos antipsicóticos e de níveis de glutamato no primeiro episódio de psicose podem facilitar a previsão daqueles que responderam ao tratamento. Além disto, os registros poderiam auxiliar no melhor entendimento e na previsão de recaídas. Os dados de ambos foram apresentados no Congresso Internacional da Sociedade de Esquizofrenia (SIRS 2019).

Medicamentos antipsicóticos vs. placebo no primeiro episódio de psicose (PEP) - estudo de neuroimagem

Medicamentos antipsicóticos vs. placebo no primeiro episódio de psicose (PEP) - estudo de neuroimagem

Embora consistentemente associados a alterações na massa cinzenta, nenhum dado prospectivo distinguiu os efeitos diferenciais dos medicamentos antipsicóticos, a partir da progressão da psicose no PEP. Sidhant Chopra, da Monash University, Austrália, apresentou os resultados de um estudo triplo-cego, controlado por placebo, prospectivo, que investiga  as alterações na massa cinzenta em indivíduos medicados e não medicados acompanhando o PEP.

Medicamentos antipsicóticos atípicos de baixa dose parecem oferecer efeitos protetores sobre o declínio da massa cinzenta relacionado à doença

Os indivíduos selecionados com idade entre 15 e 24 anos receberam terapia psicossocial intensiva e foi dado um antipsicótico atípico ou placebo por 6 meses. Do total de 90 selecionados, 62 (32 com placebo; 30 com terapia ativa) foram submetidos à neuroimagem no início do estudo, aos 3 e aos 12 meses, assim como um grupo de 27 indivíduos saudáveis.

Terapia antipsicótica de baixa dose e declínio da massa cinzenta

Ao longo de 12 meses, o medicamento antipsicótico atípica de baixa dose pareceu oferecer efeitos protetores sobre o declínio da massa cinzenta relacionado à doença visto no hipocampo e do giro supramarginal. As alterações volumétricas observadas no polo frontal, no córtex temporal medial, occipital, lateral e no cerebelo foram relacionadas à patologia da doença e não foram afetadas pelo medicamento em baixa dose. Um maior aumento volumétrico dentro do giro supramarginal foi associado a um melhor resultado sintomático, sugerindo um papel importante para esta região na mediação da recuperação específica de sintomas da psicose.

Um maior aumento volumétrico dentro do giro supramarginal foi associado a um melhor resultado sintomático no PEP

Glutamato e esquizofrenia

Estudos de neuroimagem em esquizofrenia mostraram que os medicamentos antipsicóticos reduzem os níveis do metabólito glutamato; a não remissão após o tratamento antipsicótico também parece estar ligada a níveis elevados de metabólitos glutamato. Entretanto, como explicou Kate Merritt, do King's College, Londres, Reino Unido, ninguém monitorou a mudança nos níveis de glutamato após o início do tratamento antipsicótico.

Os estudos de neuroimagem em esquizofrenia mostraram que medicamentos antipsicóticos reduzem os níveis do metabólito glutamato

Os níveis de glutamina e glutamato foram avaliados por meio de espectroscopia de ressonância magnética de prótons, no córtex cingulado anterior (CCA) e no tálamo, em 23 pacientes com PEP e em 15 indivíduos saudáveis no início do estudo, na 6° semana e aos 9 meses. Aos 9 meses, os pacientes foram classificados como remitidos (n = 12) e não remitidos (11).

Os níveis de glutamina foram maiores nos não remitidos do que nos remitidos

Os níveis de glutamina talâmica aumentaram ao longo do tempo nos pacientes não remitidos; após 9 meses, os níveis de glutamina foram significativamente maiores nos não remitidos do que nos remitidos. Esta mudança no nível de glutamina se correlacionou com a mudança na gravidade dos sintomas positivos, totais e gerais da escala de síndrome positiva e negativa (PANSS). A melhora sintomática ao longo do tratamento foi associada a uma redução longitudinal nos níveis de glutamina talâmica. Não foram observadas, em nenhum momento, alterações do metabólito glutamato naqueles que responderam ao tratamento e em nenhum dos grupos de pacientes houve alterações significativas observadas no CCA.

A melhora sintomática ao longo do tratamento foi associada a uma redução longitudinal nos níveis de glutamina talâmica.

Registros

Meninos e meninas dinamarqueses e a EIP

A esquizofrenia de início precoce (EIP) é outra área na qual os dados são limitados. Utilizando os registros de saúde dinamarqueses, Ditte Lammers Vernal, da OPUS North, Dinamarca, comparou amostras representativas de pacientes com EIP (n = 1.223) e adultos com início de esquizofrenia (AIE) (n = 15.114) e comparou os resultados entre 1996 e 2012 e os dados de acompanhamento disponíveis até 2014.

A EIP foi associada a mais dias de internação nos primeiros 2 anos após o diagnóstico do que a AIE, porém não após isto. Os transtornos pelo uso de substâncias e as acomodações fora de casa contribuíram para os dias de internação. No geral, os resultados para ambos os grupos foram amplamente semelhantes; sugerindo que a idade de início não é a principal característica que afeta o resultado do paciente.

A idade de início não é a principal característica que afeta o resultado do paciente

Uma abordagem finlandesa para as recaídas durante a terapia de manutenção

Um estudo nacional sobre recaídas psicóticas durante o tratamento antipsicótico de manutenção em pacientes finlandeses foi apresentado por Jose Rubio, da Faculdade de Medicina Zucker em Hofsta/Northwell, Nova Iorque, EUA. Para quantificar a incidência e os fatores de risco associados às recaídas, foram analisados os registros de pacientes finlandeses com diagnóstico de transtorno do espectro da esquizofrenia, que tiveram pelo menos 8 semanas de tratamento ininterrupto e que foram hospitalizados entre janeiro de 1996 e dezembro de 2014.

Aproximadamente 30% dos pacientes apresentam recaídas durante a manutenção

Pacientes com maior risco de recaída são os mais doentes no início do tratamento

Quase um terço dos pacientes  tiveram recaída durante o tratamento de manutenção com medicamento antipsicótico, tanto antipsicóticos injetáveis de ação prolongada (IAP) quanto antipsicóticos orais (APO). Aparentemente, pacientes com maior risco de recaída são os mais doentes no início do tratamento.

A dosagem cumulativa de antipsicóticos e outros medicamentos também foi associada à recaída. Embora isto possa refletir no tratamento de pacientes refratários, que recebem doses mais altas e polifarmácia, isto também pode ter um efeito causal que poderia ser investigado de forma mais aprofundada.

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