“Cognizando” sobre a cognição

Metacognição - ou, nas palavras de Platão, ‘cognição sobre cognição' - é a palavra da moda em psicoterapia. Saiba mais sobre como os médicos refletem com seus pacientes acerca de seus pensamentos ao abordar diferentes aspectos da psicose e seus potenciais benefícios.

Existem atualmente ao menos quatro abordagens psicoterapêuticas cognitivas para o tratamento da psicose na esquizofrenia; contudo, cada uma delas ‘visa’ diferentes aspectos da metacognição:1

  • TCCpsicose (TCCp) – em geral, tem como alvo as crenças individuais
  • Terapia metacognitiva – visa crenças inúteis sobre estilos de pensamento
  • Treinamento metacognitivo – visa a conscientização dos pacientes para vieses cognitivos distorcidos
  • Terapia de introspecção de reflexão metacognitiva (Metacognitive Reflection Insight Therapy - MERIT) – visa sentidos mais amplos de identidade.

Além disso, os níveis de evidência que apoiam os méritos e a eficácia de cada abordagem variam.1 Aqui, examinamos brevemente alguns desenvolvimentos recentes nas abordagens metacognitivas em transtornos psicóticos.

Abordagens metacognitivas recentes

Dois recentes desenvolvimentos em TCCp são particularmente intrigantes. A Terapia de Aceitação e Comprometimento (TAC) para pacientes internados com psicose utiliza estratégias inovadoras baseadas em mindfulness em pacientes com psicose aguda, para manejo e estabilização de crises.2

Embora tenha se mostrado eficaz em ensaios clínicos randomizados, a TAC na psicose não foi amplamente adotada, uma vez que é complicada de implementar, exigindo formato e entrega personalizados por terapeutas com doutorado e experiência em pesquisa. Entretanto, uma estratégia modificada, (o estudo REACH), está sendo testada em Providence, Rhode Island, EUA, para uso em ambientes hospitalares de rotina.2 Inicialmente, 20 pacientes serão recrutados em um ensaio aberto para testar o novo protocolo. Após as modificações, 90 pacientes entrarão em um estudo clínico randomizado para comparar a TAC simplificada com o tratamento habitual.

Curiosamente, esse mesmo grupo desenvolveu uma intervenção de autoajuda com uma narrativa em vídeo, baseada na TAC para o transtorno depressivo maior (TDM); os resultados do ensaio aberto são encorajadores.3

A TAC modificada tem se mostrado promissora, tanto na psicose, quanto no TDM

 

Ambientes de bar virtuais auxiliam pessoas com alto traço de paranoia

Os estudos com realidade virtual (RV) também são promissores. Um desses estudos não-clínicos, em adultos com alto traço de paranoia, entrevistados após entrar em um ambiente de bar em RV, identificou doze subtemas que poderiam gerar futuras áreas-alvo para a TCC assistida por RV (TCC-RV).4

A psicoterapia evoluiu o suficiente para ser adaptada a pacientes específicos com psicose?

O Treinamento Metacognitivo Individualizado (TCM+) é uma nova psicoterapia que visa crenças delirantes, como tirar conclusões precipitadas, em pessoas que sofrem de psicose.

 

TCM+ reduz os sintomas positivos

Pesquisadores na Austrália compararam a remediação cognitiva (RC) e a TCM+ com RC em um estudo clínico randomizado; aqueles que receberam quatro sessões de 2 horas de TCM+ e RC mostraram reduções significativas na gravidade dos sintomas positivos e delirantes, em comparação com  os pacientes tratados apenas com RC; essas melhoras foram mantidas no acompanhamento de seis meses.5

As melhoras em alguns sintomas positivos foram mantidas em seis meses de acompanhamento

Em um estudo semelhante, o viés de tirar conclusões precipitadas, um limiar de decisão reduzido e baixa autoestima foram associados a melhoras maiores na gravidade dos sintomas delirantes e positivos em geral ao longo do tempo.6

Ambos os estudos sugerem que os médicos agora podem ser auxiliados na seleção dos pacientes nos quais a TCM+ é mais apropriada.

TCC é amplamente aplicável

A TCCp adaptada culturalmente também se mostrou viável como um complemento ao tratamento usual (TU) em pacientes com psicose em países de renda baixa ou média.  Um estudo comparando a TCCp adaptada para uso no Paquistão, com TCCp mais TU, relatou pontuações significativamente mais baixas em escalas de pontuação de sintomas positivos e negativos.7

A metacognição é meramente um conceito filosófico útil ou uma prática clínica aceita?

 

Filosofia ou prática clínica?

O que nos leva a nos perguntar – a metacognição é meramente um conceito filosófico útil ou uma prática clínica aceita? Algo ainda a ser determinado, porém promissor!

Our correspondent’s highlights from the symposium are meant as a fair representation of the scientific content presented. The views and opinions expressed on this page do not necessarily reflect those of Lundbeck.

Referências
  1. Moritz S, et al. Dialogues Clin Neurosci 2019;21:309-317
  2. Gaudiano B, et al. Healthcare (Basel) 2017 May 5;5(2). pii: E23. doi: 10.3390/healthcare5020023
  3. Gaudiano B, et al. Behav Modif 2019; 43: 56-81
  4. Riches S, et al. Clin Psychol Psychother 2020 Jan 29. doi: 10.1002/cpp.2431. [Epub ahead of print]
  5. Balzan RP, et al. Schizophr Bull 2019;45:27-36
  6. Leanza L, et al. J Behav Ther Exp Psychiatry 202; Jan 7:101547. doi: 10.1016/j.jbtep.2020.101547. [Epub ahead of print]
  7. Husain MO, et al. BMC Health Serv Res 2017;17:808-14
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