Desregulação de citocinas na esquizofrenia

Estudos continuam indicando uma relação multifacetada entre processos imunológicos e inflamatórios e a esquizofrenia. Mais informações sobre a associação de algumas das citocinas pró-inflamatórias com a psicose foram apresentadas na WSFBP Virtual 2021 (World Federation of Societies of Biological Psychiatry).

Várias linhas de evidências apoiam o papel das citocinas pró-inflamatórias na fisiopatologia da esquizofrenia. Pacientes com primeiro episódio psicótico demonstraram ter níveis aumentados do fator de crescimento transformador beta (TGF-b), tornando esta citocina um potencial biomarcador valioso para a esquizofrenia1.

 

Desequilíbrios de citocinas envolvendo a desregulação das vias da interleucina (IL) também estão sob investigação, declarou a Dra. Milica Borovcanin, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Kragujevac, na Sérvia.

 

A IL-6 parece ter um papel específico de fase na evolução da esquizofrenia e foi identificada uma correlação entre níveis elevados de IL-6 e sintomas depressivos, bem-estar piorado, resistência ao tratamento e declínio cognitivo2.

 

Relação entre a psicose e a IL-33

Evidências demonstraram uma relação entre a IL-33 e o estado de esquizofrenia. Em um estudo avaliando os níveis de IL-33 em 77 pacientes virgens de tratamento com primeiro episódio psicótico (PEP), 27 pacientes com esquizofrenia em remissão após um depósito estável de três meses de medicação antipsicótica injetável de ação prolongada (IAP), 45 pacientes com esquizofrenia em recidiva e 18 controles saudáveis (CSs), pacientes com PEP tinham concentrações de IL-33 cinco vezes maiores do que os pacientes tratados com IAP em remissão e 2,5 vezes maiores do que os CSs (470, 420, 89 e 188 pg/mL, respectivamente).3

 

Em um estudo, as concentrações de IL-33 foram substancialmente mais altas em pacientes com psicose do que em pacientes tratados com injetável de ação prolongada ou controles saudáveis

Houve também uma correlação significativa entre os níveis de IL-33 e os sintomas positivos em pacientes em remissão, sugerindo um potencial papel desta citocina nos mecanismos subjacentes à manifestação da psicose3.

 

Relação entre a psicose e a IL-17

A desregulação da via de IL-17 também tem sido implicada na patogênese da esquizofrenia, uma vez que pacientes com PEP apresentam concentração sérica de IL-17 mais baixa do que os CSs (3 pg/mL versus 30 pg/mL, em um estudo).1,4

Em um estudo, não houve diferença nos níveis de IL-17 entre controles saudáveis e pacientes em remissão após uso de injetável de ação prolongada

Em um estudo recente com 27 pacientes com esquizofrenia em remissão após um depósito estável de três meses de antipsicótico injetável de ação prolongada, houve uma correlação positiva entre os níveis de IL-17 e a disfunção cognitiva medida através  do teste de Avaliação Cognitiva Montreal (Montreal-Cognitive Assessment), especialmente para as habilidades visuoespaciais e o funcionamento executivo, funcionamento da linguagem e memória tardia.5

 

Não houve diferença significativa nos níveis séricos de IL-17 entre CSs e pacientes em remissão após a medicação IAP.5

 

Esses estudos reforçam as evidências acumuladas de que a esquizofrenia pode ser, pelo menos em parte, um distúrbio ligado a alterações imunológicas.

 

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Referências
  1. Borovcanin M, et al. Elevated serum level of type-2 cytokine and low IL-17 in first episode psychosis and schizophrenia in relapse. J Psychiatr Res. 2012;46:1421-6.
  2. Borovcanin, MM. et al. Interleukin-6 in Schizophrenia-Is There a Therapeutic Relevance?. Frontiers in psychiatry 2017; 8:221.
  3. Borovcanin MM, et al. IL-33/ST2 Pathway and Galectin-3 as a New Analytes in Pathogenesis and Cardiometabolic Risk Evaluation in Psychosis. Front Psychiatry. 2018;9:271.
  4. Borovcanin M, et al. Antipsychotics can modulate the cytokine profile in schizophrenia: attenuation of the type-2 inflammatory response. Schizophr Res. 2013;147:103-109.
  5. Borovcanin MM, et al. Type 17 Immune Response Facilitates Progression of Inflammation and Correlates with Cognition in Stable Schizophrenia. Diagnostics (Basel). 2020;10:926.
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