Diagnosticando sintomas neuropsiquiátricos na doença de Alzheimer

Sintomas neuropsiquiátricos importantes ocorrem em pacientes com doenças neurodegenerativas e frequentemente estão associados ao aumento da mortalidade e progressão dessas doenças. Para poder discutir os sintomas de forma significativa, é essencial que sejam claramente definidos para facilitar o diagnóstico. Na AAIC2021 (Conferência Internacional Anual da Associação de Alzheimer), foram discutidos critérios diagnósticos para apatia, psicose, agitação e depressão.

Apatia na doença de Alzheimer

A apatia é provavelmente o sintoma neuropsiquiátrico (SN) mais frequentemente notado na doença de Alzheimer (DA). No entanto, apesar de sua presença em muitas patologias neuropsiquiátricas, com consequências para o funcionamento e qualidade de vida do paciente, a apatia é, paradoxalmente, difícil de se definir. Philippe Robert, da Universidade Côte d’Azure, França, explicou que critérios diagnósticos operacionais foram desenvolvidos, definindo a apatia como uma "síndrome clínica caracterizada por uma redução na atividade auto iniciada e direcionada a objetivos.1

Esses novos critérios diagnósticos são mais fáceis de usar em práticas clínicas e de pesquisa do que as versões anteriores. O Professor Robert espera que eles permitam o desenvolvimento de terapias novas e sob medida para auxiliar no manejo dos pacientes.

 

Novos critérios de diagnóstico de apatia – fáceis de usar em práticas clínicas e de pesquisa

 

Psicose

Assim como a apatia, os sintomas psicóticos também são comuns em pacientes com sintomas neurodegenerativos.2 Devido aos avanços no campo, quando as diretrizes foram acordadas pela última vez em 2020 dois novos conjuntos de critérios foram criados:

  • Critérios clínicos e de pesquisa – desenvolvidos pelo grupo de trabalho da International Psychogeriatric Association (IPA)3
  • Critérios baseados em pesquisa - desenvolvidos pela International Society to Advance Alzheimer's Research Treatment (ISAART), Neuropsychiatric Syndromes (NPS) e Professional Interest Area (PIA) (grupo de psicose).4

Corinne Fischer, da Universidade de Toronto, Canadá, contou como os novos critérios de diagnósticos foram incorporados nas diretrizes atualizadas incluindo o uso de biomarcadores e marcadores de psicoses prodrômicas. Ela antecipa que as novas diretrizes avançarão na etiopatogenia dos sintomas psicóticos em doenças neurodegenerativas.

 

Novos critérios de diagnósticos foram incorporados nas diretrizes atualizadas incluindo o uso de biomarcadores e marcadores de psicoses prodrômicas em diretrizes atualizadas de psicose

 

Agitação

Mary Sano, da Escola de Medicina do Monte Sinai, EUA, explicou os processos por trás da alteração dos critérios 'provisórios' de agitação da IPA 2015, para critérios formalmente aceitos.5

Uma pesquisa com os membros da IPA reuniu 90% de concordância para que o trabalho ‘provisório’ fosse retirado e que os critérios fossem formalmente adotados. No entanto, 10% dos membros tinham reservas e fizeram uma série de sugestões para novas melhorias. Por exemplo, fornecimento de dados de apoio adicionais, diferenciação mais clara do delírio clínico, reconhecimento da angústia causada por cuidados sub-ótimos e distinção entre agitação e agressão. Essas sugestões foram consideradas e está em andamento o trabalho de finalização dos critérios de agitação.

 

Depressão

A depressão é prevalente na doença de Alzheimer. No entanto, a constelação de sintomas observados no transtorno depressivo maior (TDM) difere daqueles comumente observados na demência. Por exemplo, naqueles com depressão tardia (DT), a memória melhora com auxílio de pistas – o que não é verdade naqueles com depressão; na DT, a AIVD (Atividades Instrumentais da Vida Diária, do inglês IALD – Instrumental Activities of Daily Living) é minimamente afetada, enquanto que naqueles com demência essa medida é, geralmente, consideravelmente afetada.

Paul Rosenberg, Escola Médica John Hopkins, EUA, sugeriu que a DT pode ser considerada um sintoma prodrômico de demência, pois a depressão está associada a um risco aumentado de comprometimento cognitivo na doença de Alzheimer – mesmo quando a gravidade da depressão é baixa.6

Foi sugerido que o início da demência e da depressão podem compartilhar um mecanismo vascular comum.7-8 O mesmo acontece com a perda auditiva – que está associada ao declínio cognitivo e à DT. Ambos os teoremas acabam por oferecer potenciais alvos terapêuticos.

Em termos de tratamento, métodos não farmacológicos incluindo exercícios e terapia cognitivo-comportamental podem ser efetivos. A resposta da DT à medicação é limitada.

 

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Referências

  1. Chong TT. Definition: Apathy. Cortex 2020;128:326-327.
  2. Ropacki SA et al. Epidemiology of and risk factors for psychosis in Alzheimer’s disease: a review of 55 studies published from 1990 to 2003. Am Journal Psychiatry 2005;162:2022-2030.
  3. Cummings J et al. Criteria for psychosis in major and mild neurocognitive disorders: IPA consensus clinical and research definitions. Am J Geriatr Psychiatry2020;28:1256-1269.
  4. Fischer CE et al. Revisiting criteria for psychosis in Alzheimer’ disease and related dementias: Towards better phenotypic classification and biomarker research. J Alzheimer’s Disease 2020;73:1143-1156.
  5. Cummings J et al. Agitation in cognitive disorders: IPA provisional consensus clinical and research definition. Int Psychogeriatrics 2015;27:7-17.
  6. Rosenberg P et al. Depressive symptoms predict incident cognitive impairment in cognitive healthy older women. Am J Geriatr Psychiatry 2010;18:204-211.
  7. Alexopoulos GS et al. ‘Vascular depression’ hypothesis. Arch Gen Psychiatry 1997;54:915-22.
  8. Taylor WD et al. The vascular depression hypothesis: mechanisms linking vascular disease with depression. Mol Psychiatry 2013;18:963-974.

 

Further reading

  1. Leyhe et al. 2017