Uma solução para os pacientes com Alzheimer pode estar a caminho

Novos tratamentos e melhores ferramentas para auxiliar no diagnóstico e no estadiamento permitirão uma solução completa para a doença de Alzheimer no futuro – essa foi a mensagem principal de um simpósio sobre os avanços da ciência no 11o. congresso de Estudos Clínicos na Doença de Alzheimer (CTAD). Novas ferramentas de autoavaliação que usam tecnologia digital poderão ser disponibilizadas para quem está preocupado com a própria saúde cognitiva. Avanços com biomarcadores sanguíneos, imunoensaios ultrassensíveis e novas técnicas de imagem fornecerão ferramentas para uma triagem precoce e poderão funcionar como biomarcadores de desfecho para o desenvolvimento de novas terapias. Em última análise, o manejo dessa doença multifatorial exigirá a combinação de vários tratamentos com mecanismos diferentes, que poderão surgir de tratamentos atualmente em desenvolvimento.

Novos tratamentos, melhores métodos para a identificação de indivíduos em estágios iniciais da doença e ferramentas mais avançadas para o diagnóstico e o estadiamento podem permitir o desenvolvimento de uma solução completa para os pacientes com doença de Alzheimer, segundo afirmou a Dra. Rachelle Doody, Chefe Global de Neurodegeneração da Roche, na Suíça, na abertura de um simpósio no 11o. congresso CTAD. O progresso em direção a uma solução completa poderá começar através do fornecimento de ferramentas de autoavaliação para quem estiver preocupado com sua saúde cognitiva, do desenvolvimento de ferramentas clínicas mais precisas para o estadiamento da doença e da oferta de uma série de opções terapêuticas para os pacientes em todos os estágios da doença de Alzheimer.

É de fato possível detectar os próprios problemas cognitivos, o que já foi demonstrado em vários estudos,1,2 segundo a Dra. Mary Sano, do Centro de Pesquisas em Doença de Alzheimer da Faculdade de Medicina Icahn, Mt. Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos. Uma metanálise recente sugere que preocupações subjetivas com a memória dobram a chance da pessoa ter ou vir a desenvolver demência,3 ela acrescentou.

As tecnologias digitais, como smartphones e wearables (termo adotado para descrever dispositivos que se usa no corpo), têm o potencial de captar com ainda maior precisão medidas cognitivas tanto subjetivas quanto objetivas. O uso de smartphones na população acima de 50 anos está aumentando,4 e um estudo de prova de conceito (iVitality) mostrou um alto nível de adesão (60% em seis meses) entre pessoas com alto risco de demência (com histórico familiar e média de idade de 57 anos) no que tange o uso de testes cognitivos realizados através de um aplicativo para smartphone.5

Aplicativos para smartphones podem permitir a identificação precoce de problemas cognitivos em pessoas com risco de desenvolver a doença de Alzheimer.

Os avanços na identificação de biomarcadores plasmáticos de beta-amilóide (Ab) oferecem grandes vantagens para a triagem e o diagnóstico em termos de menor custo e maior disponibilidade para grandes populações,6-8 afirmou o Dr. Christopher van Dyck, da Unidade de Pesquisa em Doença de Alzheimer da Yale University, nos Estados Unidos. O projeto Trial-Ready Cohort for Preclinical/Prodromal Alzheimer’s Disease (TRC-PAD) incluirá três plataformas de ensaios de biomarcadores plasmáticos diferentes , que permitirá testes de campo comparativos multicêntricos das ferramentas de avaliação.

Avanços com biomarcadores sanguíneos, imunoensaios ultrassensíveis e novas técnicas de imagem fornecerão ferramentas de triagem precoce e podem funcionar como biomarcadores de desfecho para o desenvolvimento de novas terapias.

Os imunoensaios ultrassensíveis para oligômeros do Ab no líquido cefalorraquidiano (LCR) possibilitam demonstrar o envolvimento do alvo nos estudos clínicos e podem funcionar como biomarcadores de desfecho para o desenvolvimento de novas terapias.9 Além disso, um ligante (conjugado com a glicoproteína 2 da vesícula sináptica) para imagem sináptica com tomografia por emissão de pósitrons (PET),¹/desenvolvido pelo Centro Yale, poderia oferecer a primeira medida in vivo da densidade sináptica como uma medida de desfecho em estudos clínicos de terapias modificadoras da doença, principalmente daquelas que têm as sinapses como alvo.

Não restam muitas dúvidas de que essa doença complexa será tratada no futuro com terapias combinadas, afirmou o professor Dennis Selkoe do Hospital Brigham and Women’s e da Faculdade de Medicina de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos. Assim como outras doenças crônicas e multifatoriais, a doença de Alzheimer poderá vir a ser tratada com uma combinação de dois ou mais agentes modificadores da doença dirigidos para os mesmos ou para outros fatores patogênicos, ele explicou.

A doença de Alzheimer é uma doença complexa que será tratada melhor através do uso de terapias combinadas.

O professor Selkoe sugeriu uma nova abordagem para o tratamento da doença de Alzheimer, que começaria com a avaliação do risco quando a pessoa atingisse a meia idade, de forma a gerar uma pontuação de risco para doença de Alzheimer. Essa pontuação incluiria o histórico familiar, os resultados de uma triagem cognitiva e de testes neuropsicológicos, testes genéticos, mensuração de biomarcadores plasmáticos, estudos de imagem e exame do LCR. A abordagem terapêutica seria estabelecida a partir da categoria de risco para doença de Alzheimer em que a pessoa se encontrasse.

Acredita-se que a melhor abordagem de tratamento é começar com um agente com benefícios comprovados antes de acrescentar um segundo agente. Pelo menos um dos agentes deveria neutralizar ou eliminar os oligômeros de Ab difundíveis, explicou o professor Selkoe, visto que eles têm se mostrado cada vez mais patogênicos.¹¹ A segunda droga poderia ser um agente anti-tau ou dirigido para o Ab através de outro mecanismo.

Outras leituras:  It’s in the blood – identification of plasma biomarkers brings hope for screening and early detection of Alzheimer’s disease.

Referências
  1. Schofield PW et al. Am J Psychiatry. 1997;154:609-15.
  2. Li C et al. J Alzheimers Dis. 2017;60:427-37.
  3. Mitchell AJ e tal. Acta Psychiatr Scand. 2014;130:439-51.
  4. Anderson GO. AARP Research, December 2017. Washington, DC https://doi.org/10.26419/res.00210.001
  5. Jongstra S et al. JMIR mhealth uHealth 2017;5:e68.
  6. Ovod V et al. Alzheimers Dement. 2017;13:841-9.
  7. Nakamura A e tal. Nature 2018;554:249-54.
  8. Hansson O et al. AAIC Chicago, IL, July 22-26; 2018: oral presentation.
  9. Yang T et al. Alzheimers Res Ther. 2015;7:14.
  10. Chen MK et al. JAMA Neurol. 2018: 75:1215-24.
  11. Jin M et al. Nat Commun. 2018;9:2676.
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