Objetivos do paciente e medição de resultados cruciais no TDM

Perguntar às pessoas o que elas mais desejam do tratamento da depressão, o tratamento direcionado, cuidados baseados em medidas e uma abordagem abrangente das comorbidades, são questões que podem melhorar o resultado do tratamento. Aprendemos cada vez mais sobre os substratos biológicos do transtorno, mas aplicar o que já sabemos é muito importante.

O tratamento adequado do transtorno depressivo maior (TDM) requer uma visão de longo prazo, em 360 graus, do paciente. É necessário visualizar os indivíduos por completo, adaptar o seu tratamento, intervir precocemente e intervir amplamente. A professora Maj Vinberg (Universidade de Copenhague, Copenhague, Dinamarca) transmitiu claramente essa mensagem em um simpósio satélite do ECNP 2019, que abordou questões encontradas no gerenciamento diário dessa condição incapacitante.

Conforme discutido no projeto da Lancet Psychiatry Commission, em 2019, sobre proteção da saúde física em pessoas com doença mental,1 devemos adotar uma abordagem multidisciplinar das comorbidades. Dormir melhor, fazer mais exercícios físicos e adotar hábitos de vida saudáveis pode prevenir a recaída: a saúde psicológica e física andam de mãos dadas. [Para acessar o artigo da Lancet Psychiatry Commission, veja aqui https://progress.im/en/content/lancet-psychiatry-commission-blueprint-protecting-physical-health-people-mental-illness]

Objetivos do tratamento contemporâneos envolvem restauração da funcionalidade

 

Uma necessidade clara: reconhecer e agir

A Professora Vinberg também chamou a atenção para a grande e recente metanálise de estudos de coorte prospectivos, mostrando que níveis mais altos de atividade física estão consistentemente associados a um risco reduzido de desenvolver depressão.2 Exercício não significa correr dezesseis quilômetros por dia. Dobrar nosso número diário de passos pode fazer a diferença, disse ela.

O público respondeu a uma pergunta, feita por Mark Opler (Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York, Nova York, EUA), sobre quantas vezes eles perguntavam sobre os objetivos de tratamento de seus pacientes. Embora 41% tenham dito geralmente, apenas 26% disseram sempre.

Desde 1968, Thomas Kiresuk e Robert Sherman argumentaram que o tratamento deveria ser guiado por uma tentativa sistemática de definir objetivos individuais dos pacientes e medir o progresso para alcançá-los.3 Essa abordagem baseia-se em perguntas sobre o que mais incomoda os pacientes, o que eles mais desejam realizar nas próximas 8 a 12 semanas, como avaliariam o progresso e como seria o sucesso.

Pergunte mais sobre os objetivos do paciente

O uso da escala de alcance de metas no TDM foi defendido pelo Professor Opler, e há evidências iniciais de interesse do paciente.4 Os pacientes querem suas vidas de volta, ele diz. Precisamos entender como eles eram antes de ficarem deprimidos e ajudá-los a serem daquela forma novamente.

 Precisamos entender como as pessoas eram antes de ficarem deprimidas e ajudá-las a serem daquela forma novamente.

Os médicos devem melhorar em determinar os objetivos dos pacientes. E também podemos ser melhores nos cuidados baseados em medidas, continuou o professor Opler. Em 2012, o estudo randomizado COMET mostrou que pacientes cuja gravidade da depressão era regularmente comunicada a seus médicos (que eram livres para ajustar a terapia) tinham duas vezes mais chances de se tornarem responsivos do que pacientes cujos médicos não receberam essas informações.5

Se a primeira transição epidemiológica foi a mudança de morbidade que passou de doenças comunicáveis para não comunicáveis, a segunda transição – pela qual estamos passando agora – é a depressão se tornar a principal causa mundial de incapacitação. O moderador da sessão, Roger McIntyre (Universidade de Toronto, Toronto, Canadá), disse que o número impressionante de pessoas afetadas pelo TDM exigia um apelo à ação.

Transições em epidemiologia

Podemos cada vez mais desvendar a neurobiologia da depressão e começar a entender por que os afetados têm tantos outros transtornos. Há mais para compreender, é claro. Mas uma grande necessidade médica não atendida é a melhor implementação do que já sabemos sobre a importância dos resultados centrados no paciente, o valor da colaboração com os pacientes e a necessidade de tratar com um objetivo, disse o professor McIntyre.

As vias de recompensa e cognição estão interligadas

Ao considerar aspectos da depressão que os pacientes consideram preocupantes, Maj Vinberg chamou a atenção para o déficit cognitivo. E sabemos que a função cognitiva diminui a cada episódio de TDM.6 A Professora Vinberg também chamou a atenção para a anedonia e o fato de os médicos frequentemente não darem a importância necessária a isto.

A Escala de Prazer de Snaith-Hamilton (SHAPS, do inglês, The Snaith-Hamilton Pleasure Scale)7 é uma medida clínica que avalia a capacidade reduzida de sentir prazer, e seu uso foi aprovado pelo Professor McIntyre. Assim como no déficit cognitivo, transtornos de recompensa são encontrados em muitos transtornos de saúde mental. Fadiga e perda de interesse parecem fazer parte de uma neuropatologia subjacente.

Ele distinguiu entre prazer antecipatório, ou “vontade”, que parece estar relacionado à via dopaminérgica, e as vias opioide e canabinérgica envolvidas no “gostar”. E ele observou que qualquer antecipação depende do aprendizado e, portanto, da cognição. Portanto, as vias da recompensa e da cognição estão interligadas.

 

 

The symposium was organized by Medscape Psychiatry through an educational grant from H. Lundbeck A/S.

 

Our correspondent’s highlights from the symposium are meant as a fair representation of the scientific content presented. The views and opinions expressed on this page do not necessarily reflect those of Lundbeck.

Referências

1. Firth J et al. Lancet Psychiatry 2019;6:675-612

2. Schuch FB et al. Am J Psychiatry 2018;175:631-648

3. Kiresuk TJ, Sherman RE. Community Ment Health J 1968;4:443-453 

4. McNaughton EC et al. Patient Prefer Adherence 2019; 13:959-967

5. Yeung AS et al. Depress Anxiety 2012;29:865-873   

6. Gorwood P et al. Eur Neuropsychopharmacol 2014;24:1630-1640

7. Snaith RP et al. Br J Psychiatry 1995;167:99-103

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